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Como me Livrei da Enxaqueca

Durante cerca de dez anos, convivi com crises freqüentes de enxaqueca. Ao longo de todo este tempo, sofri com sintomas fortes, que atrapalhavam minha rotina e prejudicavam minha qualidade de vida. Mas, para quem abençoadamente nunca sofreu com enxaqueca, pode ser difícil entender como ela pode afetar tanto as atividades e a qualidade de vida de uma pessoa. Por isso, resolvi dividir um pouco da minha experiência a respeito desta doença.

O Que é Enxaqueca

Quando alguém lê ou ouve a palavra enxaqueca, pensa logo em dor de cabeça. Hoje em dia é comum ouvir falar deste mal, ele ocupa espaço em revistas, jornais, internet e outros meios, o que significa que cada vez mais as pessoas vêm sofrendo e buscando informações e (principalmente) alívio.


A enxaqueca é causada por uma série de desequilíbrios químicos e hormonais no organismo, que podem ser gerados por hábitos pessoais e/ou predisposição genética. Estes desequilíbrios, por sua vez, desencadeiam uma série de sintomas variáveis – a dor de cabeça intensa é apenas um deles, e pode ou não surgir durante uma crise.

Em toda a minha experiência como portadora de enxaqueca, tive sempre crises com sintomas bem pesados e que não se desvaneciam com facilidade. Náuseas, vômito, tontura, pulsação e dores muito fortes nos olhos e na cabeça, intolerância a cheiros, luzes, sons, insônia, visão embaçada, falta de concentração… tudo isto me afligia em conjunto e de forma crescente quando a doença se manifestava. O sofrimento era tão grande que me sentia disposta a tentar QUALQUER COISA em busca de alívio; costumava brincar com os amigos que, se me dissessem que titica de galinha iria me curar, eu ficaria tentada a provar. Acredito que muitas pessoas se sintam da mesma forma, o que é bem perigoso: muito se fala sobre a enxaqueca, mas muita confusão ainda existe, e isto traz uma condição favorável para a propagação da desinformação. Um portador de enxaqueca mal orientado pode chegar a agravar e muito sua situação, seguindo conselhos errôneos e, na maioria das vezes, inúteis.

Vivendo COM Enxaqueca

Minhas crises nunca tiveram data certa pra acontecer nem tempo de duração definido; o período menstrual carregava uma chance maior de manifestação dos sintomas, mas isto também não era uma regra. O desespero era sempre presente, pois QUALQUER COISA podia desencadear uma crise: a ingestão de um alimento, o intervalo entre uma refeição e outra, uma surpresa (boa ou ruim), choro, um flash, uma mudança na iluminação, ter dormido muito ou pouco, um barulho, um cheiro, um movimento…

Com o tempo, fui aprendendo a reconhecer o início de uma crise e a saber que, a partir dali, qualquer passo seria inseguro: tinha medo de comer e piorar, de não comer e piorar, de tomar remédio e piorar, de andar, sentar, respirar, e assim por diante. Geralmente, piorava de qualquer jeito, e ter consciência disso era algo extremamente torturante: imagine o que é saber que você irá passar por um sofrimento MUITO grande e que há poucas chances de qualquer atitude sua conseguir amainá-lo. Só a angústia de lembrar o que viria a seguir e o fato de não saber quando tudo terminaria já era suficiente para arruinar o que quer que eu estivesse fazendo, tornando a experiência algo muito pior do que já era.

Os sintomas vinham sempre de forma crescente, até chegar a um auge; não consigo me lembrar de alguma vez em que eles tenham ‘passado’ sem que eu precisasse interromper minhas atividades e procurar um lugar escuro e silencioso para tentar suportar o sofrimento e dormir um pouco e/ou me medicar, às vezes de forma repetida. Tudo isto era muito complicado, pois nem sempre havia um remédio à mão (e nem sempre ele fazia efeito) ou um local onde eu pudesse repousar e fugir dos incômodos externos. E nessas situações, enfrentar uma crise de enxaqueca se tornava ainda mais difícil.

Vivenciei diversos tipos de situações ruins por causa da enxaqueca: já passei mal sozinha e longe de casa, sem saber como conseguiria voltar e com medo de desmaiar na rua; já perdi aulas e deixei de apresentar trabalhos; já fui aquém da minha capacidade em provas; já passei muito mal em locais de trabalho, comprometendo a minha produtividade; já deixei de ir a programas com a família e amigos; já passei mal nestes programas; já tive de interromper encontros e compromissos; já fui parar no ambulatório do shopping, depois de passar mal no banheiro e ser confundida com alguém que bebeu demais por estar desorientada de dor e não conseguir enxergar direito nem explicar muito bem o que sentia; já achei que iria morrer; já quis morrer…

Muitas vezes me privei de experiências boas ou deixei de aproveitá-las plenamente em função da dor ou do medo dela; e em outras tantas, me senti incompreendida e impotente diante de pessoas que não conseguiam acreditar que o que eu sentia era sério e real.

Procurando Uma Saída

Diante desta situação, eu quis saber o que se passava comigo e me tratar, então procurei o médico; aliás, procurei mais de um. Consultei-me com diversos profissionais, fiz dezenas de exames diferentes, fiz testes, experimentei tratamentos, me voluntariei para pesquisas, me mediquei por conta própria, enfim, fiz de tudo o que achava que podia fazer.

Em todos os lugares a que fui, recebi sempre a mesma resposta: que o que eu tinha era realmente enxaqueca, que ter enxaqueca era “comum”, que a dor surgia em função da dilatação das artérias da têmpora e que não era possível determinar o que originava essa dilatação (ou as crises) – isso parecia ser essencial. Mas existiam medicamentos que, apesar de não específicos para enxaqueca, poderiam me ajudar. Portanto, eu tinha duas opções: usar um medicamento para pressão todos os dias (tratamento preventivo, que descartei de cara) ou me medicar ao menor sinal do surgimento de uma crise, com um analgésico e antiinflamatório.

Nunca nenhum dos profissionais procurados me disse que eu poderia viver sem enxaqueca; foi me dito que ela não tem cura e que eu deveria aceitar o fato. E assim eu me medicava e tocava a vida. Mas as crises voltavam. E os medicamentos para a crise (que às vezes funcionavam e às vezes, não) perdiam efeito e tinham que ser trocados por outros que viriam a perder efeito um tempo depois.

Paralelamente a toda essa busca por auxílio profissional, eu fazia minhas próprias pesquisas, lia todo e qualquer artigo, texto ou matéria sobre enxaqueca que me caía nas mãos, conversava com pessoas que também sofriam com a doença, procurava qualquer informação que pudesse me ajudar a entender o que acontecia comigo e por quê. Ouvi e li muita bobagem, encontrei pessoas mal informadas que confundiam enxaqueca com outras doenças ou tentavam empurrar curas milagrosas e falsas, além das muitas propagandas de remédios, às vezes disfarçadas de matérias jornalísticas. Também encontrei informações sérias, que explicavam o que acontecia com o meu organismo durante uma crise, mas que não me ajudavam em nada a evitá-las. Descobri através de auto-observação que alimentos adoçados com aspartame provocavam o aparecimento dos sintomas, mas mesmo depois de abolir qualquer adoçante artificial da dieta, eu ainda continuava tendo crises.

Vivendo SEM Enxaqueca

Em meio a todas estas buscas, acabei encontrando o trabalho do médico Alexandre Feldman, de São Paulo. Fiquei impressionada, pois sua abordagem da doença era totalmente diferente de tudo o que eu já tinha visto; em seu SITE, cheio de informações, ele falava sobre hábitos de sono, alimentação, stress, hormônios, ESTILO DE VIDA. O interesse foi grande e imediato, mas confesso que, depois de tantos anos convivendo com a enxaqueca sem uma solução, eu já estava um tanto descrente de que algo pudesse mesmo funcionar. Eu não acreditava que pudesse viver livre das crises, e estava também começando a achar que nem mesmo conseguiria minimizá-las de alguma forma. Ainda assim, não pude ignorar o que estava à minha frente.

Durante um tempo, apenas acompanhei os artigos escritos pelo Dr. Feldman, mas não demorou para eu perceber que cada texto novo fazia muito mais sentido do que tudo o que eu já tinha visto ou tentado até então. Concluí que precisava saber mais e assim, acabei comprando o livro Enxaqueca – Só Tem Quem Quer, de sua autoria. Nele, acabei descobrindo o quanto os hábitos – de sono, alimentação, exercícios, entre outros – e até mesmo a postura diante da vida influenciam na manifestação dos sintomas da enxaqueca. Descobri que eu, por conta própria, poderia fazer muito para transformar a situação que vinha enfrentando há tantos anos. Parece mentira, ou melhor, parece mágica. Mas são, na verdade, os muitos anos de experiência deste médico tão querido, traduzidos numa obra clara, SÉRIA, e preciosa. E não, não havia nenhuma pegadinha, nenhum custo adicional, nenhuma fórmula secreta e milagrosa.

Tudo o que eu precisaria fazer era empregar um pouco de força de vontade e ter sempre em mente a minha vontade de melhorar – melhorar da doença, melhorar a saúde, melhorar de vida – e foi isso o que fiz. Confesso que antes de começar efetivamente a seguir as orientações do Dr. Feldman, eu tive alguns momentos de dúvida e cheguei a ponderar se tantas mudanças não seriam difíceis, até mesmo impossíveis, se não tornariam minha vida muito complicada e se me privariam de aproveitar aquilo que eu já perdia muitas vezes com a enxaqueca, como por exemplo, um programa com os amigos…  afinal, há sempre um estranhamento, um pouco de receio, quando tentamos fazer as coisas de um jeito diferente do que já estamos habituados.

Porém, a vontade de ver algum resultado foi mais forte e eu fui em frente, um dia depois do outro; e não só me vi livre das crises (desde que comecei a seguir as orientações, estou há quase um ano sem ter tido uma crise sequer de enxaqueca!), como vi muitos outros benefícios: meu humor melhorou, minha pele ficou mais bonita, assim como meus cabelos, ganhei fôlego, me vi livre de alergias e outros incômodos, perdi peso, minha disposição aumentou, estou mais alegre, independente e ativa. Sinto-me feliz e não tenho mais medo de sofrer com a enxaqueca. Não sei se posso afirmar que estou curada, pois sei que se voltar a adotar maus hábitos de vida, voltarei a ter os sintomas; mas me considero SAUDÁVEL. E isto é o mais importante. Esta experiência tem sido um sucesso desde o princípio; tantas mudanças positivas me fizeram não só deixar para trás esta doença, mas também enxergar a vida e tudo o que acontece ao meu redor de forma diferente, mais consciente. O que parecia dificílimo a princípio (e que nunca se mostrou tão difícil assim), hoje é fácil e necessário, como beber água. Não consigo mais pensar em viver de outra forma. Recomendo a todos que tenham enxaqueca ou que conheçam alguém que tem, o livro, o site, o próprio Dr. Feldman. Em outros artigos falarei mais sobre as mudanças e os benefícios que consegui; quero finalizar dizendo que é sim possível viver sem enxaqueca – basta querer.

21/09/2011 at 21:20 18 comentários


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