Normas Sanitárias e Alimentação Natural – Quando a Lei te Atrapalha a Viver Bem – PARTE I

31/10/2011 at 17:24 1 comentário

Quem opta por se alimentar de forma natural muitas vezes se depara com uma série de dificuldades; algumas de ordem “psicológica” (‘não tenho tempo’, ‘vai ficar caro’, ‘vou virar escravo(a) da cozinha’…) – estas, facilmente superadas e desmitificadas quando se resolve pôr mãos à obra. Outras, de ordem “informativa” (‘não sei o que comer’, ‘mas sempre me disseram que isto faz mal pra saúde’, ‘a embalagem diz que é natural’…) – também desmitificadas quando a pessoa adquire um pouco mais de prática, conhecimento e, principalmente, começa a obter os benefícios deste tipo de dieta. Mas existem ainda dificuldades mais abrangentes, de ordem “mercadológica” – estas, por sua vez, mais difíceis de serem vencidas.

Escrevendo errado por linhas retas

A produção, distribuição, armazenamento e comercialização de alimentos no Brasil são regidas por uma série de leis e normas elaboradas, teoricamente, para garantir que o consumidor possa adquirir alimentos produzidos e sob condições ‘ideais’ de higiene e conservação.  Mas, numa era tão afeiçoada ao conceito de pureza, refino e esterilidade, tais condições muitas vezes revelam-se estar bem afastadas daquilo que poderia ser considerado realmente ideal, implicando em barreiras ao acesso a alimentos naturais por grande parte da população.

A prática e o conhecimento comprovam que alimentos integrais, naturais e isentos de aditivos, poluentes e outras substâncias nocivas são infinitamente mais nutritivos e benéficos ao funcionamento equilibrado do organismo do que os industrializados. Nossas leis e normas, por sua vez, regem que os alimentos sejam produzidos de forma a ‘se manter livres de contaminações’ que poderiam resultar em doenças ou problemas de saúde.  Entretanto, este processo se dá, muitas vezes, através da contaminação do alimento com elementos nocivos que resultarão em doenças ou problemas de saúde. É absurdo, mas tais contaminações são geralmente legalizadas ou obrigatórias.

Existem também regras que determinam o acréscimo ou retirada desnecessários de substâncias em alimentos, com igual prejuízo para a saúde das pessoas. Tais substâncias supostamente deveriam promover algum benefício ou evitar o surgimento de alguma mazela, mas acabam surtindo efeito contrário. É o caso da água e também do sal de cozinha.

Água

Pela lei, a água distribuída pelas centrais de abastecimento deve ser fluoretada. A justificativa para a adição desta substância é a prevenção de cáries na população, principalmente em crianças e adolescentes, porém há muitas controvérsias a respeito desta ação. Diversos estudos indicam que o flúor traz mais danos que os supostos benefícios à saúde alegados para justificar sua presença compulsória em nossa água; em excesso, causa fluorose, osteoporose, deformidade dentária, distúrbios de desenvolvimento ósseo, interferência nas funções da glândula tireóide, entre outros problemas. É possível acreditar que fatalmente haverá, em algum momento, um excesso de flúor em nosso organismo, independente de ingerirmos quantidades consideradas pelas autoridades como ‘ínfimas’: o flúor é uma substância de efeito cumulativo: apenas 50% dele é eliminado pelo corpo; o restante aloja-se junto ao cálcio dos tecidos conjuntivos. E, uma vez que a água está presente em grande parte de nossas atividades cotidianas, podemos somente imaginar quanto flúor absorvemos através deste contato, pela pele. As crianças, que constituem um dos principais alvos desta lei, sofrem ainda mais com a ação do excesso de flúor, que ataca dentes e ossos ainda em desenvolvimento.

Existem ainda outros aspectos importantes que são solenemente ignorados pelo governo brasileiro: curiosamente, os próprios centros de controle e prevenção de doenças – bem como diversas autoridades na área médica e odontológica – reconhecem que o mecanismo dos supostos benefícios do flúor é principalmente TÓPICO e não SISTÊMICO.  Ou seja, você não tem que ENGOLIR o flúor se quiser utilizá-lo para “proteger” seus dentes. Como os benefícios do flúor (se é que existem) são tópicos, e os riscos, principalmente sistêmicos, faria mais sentido, para aqueles que se dispusessem a assumir os riscos, levar o flúor diretamente ao dente. Além disso, uma vez que engolir o flúor é absolutamente desnecessário, e até perigoso, não existe razão para FORÇAR as pessoas, desconsiderando sua vontade, a beber o flúor em seu suprimento de água.

O flúor não é a única substância presente no líquido que sai de nossas torneiras. Nas estações de tratamento, ela é ‘potabilizada’ com sulfato de alumínio, cloro e cal, entre outras, além de passar por diversas fases de remoção de impurezas. Diante de tantos ingredientes cuja ação também traz possibilidades de prejuízo para o organismo, encontramos mais um motivo para discordar da adição de mais químicas nocivas e dispensáveis à água. Infelizmente, na prática, esta lógica não é considerada. Em uma conversa com um técnico de uma central de abastecimento, fui informada de que na questão do tratamento, os riscos à saúde, de efeito crônico, impostos pelas substâncias químicas presentes na água, apesar de não ignorados, são considerados “não muito bem fundamentados”, e assim, a prioridade é garantir a qualidade microbiológica da água, deixando esta questão em segundo plano. A mim, me parece que está em décimo oitavo plano.

Sal

O sal presente na maioria das mesas dos brasileiros é mais um exemplo de alimento a respeito do qual foram instituídas normas mal-elaboradas. De acordo com nossas leis, o sal, para ser comercializado, deve ser refinado e iodado, ou seja, acrescido de iodo, na forma de iodeto ou iodato. Tal procedimento visa, segundo as autoridades controladoras, prevenir o bócio (aumento da glândula tireóide). A deficiência de iodo em nosso organismo pode causar outros inúmeros distúrbios, como abortos e retardos mentais, mas nem mesmo estes fatores justificam a adição compulsória do mesmo ao sal.

Acontece que o sal marinho, em seu estado bruto, já contém iodo natural, facilmente assimilado pelo organismo. No processo de lavagem, que ocorre após a extração do sal, este elemento é removido, tornando necessário “repô-lo” posteriormente. Ao fim do refinamento, adiciona-se ao sal iodeto de potássio (ingrediente que não é natural), numa quantidade muito superior à do iodo encontrado originalmente no sal em estado bruto. Este excesso torna o organismo suscetível a doenças diversas, como câncer, tumores, nódulos na tireóide (quanta ironia!), hipoplasia, má formação embrionária, entre outros.

Além disso, o refinamento em si também é injustificado do ponto de vista da saúde; o sal marinho em estado bruto contém ainda enxofre, magnésio, bromo, cálcio e muitos outros elementos que são eliminados ou extraídos pela indústria, que obtém grandes lucros através de sua comercialização. Não obstante, depois de empobrecido, o sal é “enriquecido” com antiumectantes, alvejantes, estabilizantes e conservantes (talco, cal de parede, açúcar, entre outros). Todos estes aditivos causam, como se pode prever, inúmeros problemas ao organismo.
Tanto o processo de refino quanto a adição de iodeto de potássio são extremamente lucrativos para a indústria, mas nem um pouco para quem o consome. Ainda assim, são legalizados.

Leite

Atualmente, convencionou-se achar que qualquer processo de fabricação que aconteça numa indústria e envolva máquinas em vez de pessoas (ou com o mínimo de envolvimento humano possível) é sempre mais seguro, limpo e saudável. Somos uma geração de pessoas aterrorizadas por bactérias, germes, micróbios e sujeira, e a indústria conseguiu nos convencer de que suas instalações são o único ambiente onde estaremos a salvo de tantos inimigos.

A idéia vigente de higiene está intimamente associada à esterilização, e assim chegamos ao caso do leite. Para ser comercializado no Brasil, a lei exige que todo leite passe pelo processo de pasteurização (o leite humano doado aos bancos de leite também é submetido à este procedimento!!). Da mesma forma, todos os derivados e laticínios devem ser produzidos a partir de leite pasteurizado. Produtos que não passaram por este processo são considerados ‘clandestinos’.

A pasteurização é extremamente interessante para a indústria, pois aumenta o “tempo de prateleira” do leite. Porém, ela reduz sua carga bacteriana, eliminando bactérias lácteas benéficas (fermentos naturais) e muitas vitaminas, altera seu sabor e desnatura suas proteínas, além de destruir enzimas, o que dificulta a digestão deste alimento. No processo industrial, a nata é removida e posteriormente devolvida ao produto final, de acordo com a porcentagem de gordura desejada; depois, o produto sofre homogeneização, é centrifugado, filtrado e clarificado. O leite “integral” encontrado nas prateleiras – e o único legalizado – não é de forma alguma leite, mas um subproduto obtido a partir da degeneração total do leite cru.

A pasteurização transforma o leite em um alimento morto, inútil e de difícil digestão; em seu estado natural (ou seja, cru), o leite é considerado como o alimento mais perfeito da natureza, pois contém quase todas as substâncias essenciais para a nutrição humana; suas enzimas permitem a absorção dessas substâncias pelo nosso organismo. Com a destruição das enzimas, provocada pela exposição a altas temperaturas, o corpo não consegue aproveitar o cálcio, os ácidos graxos, a galactose e muitos outros nutrientes presentes neste alimento. A própria adição de cálcio extra e outras substâncias “saudáveis” ao leite é uma grande bobagem, pois elas já se encontram presentes no leite in natura; no industrializado, nem mesmo serão absorvidas.

A desnaturação das proteínas do leite pela pasteurização o torna ainda imprestável para a produção de diversos derivados, como o queijo. Esta dificuldade é ‘vencida’ pela indústria com o uso de aditivos químicos, o que não é nem um pouco recomendado para quem busca uma boa alimentação. O queijo feito de leite cru é tradicional em Minas Gerais, e carrega consigo muitos dos benefícios do leite in natura. Porém, mais uma vez as normas oficiais se colocam em desfavor da saúde, e não permitem que este queijo tão rico e apreciado em todo o país seja comercializado fora do estado de origem; mal elaborada e baseada em desinformação, temos assim mais um exemplo de lei que prejudica a saúde da população, e pior: sob alegação de estar preservando a mesma.

[Esta é a Parte I do artigo sobre leis sanitárias e alimentação natural; a Parte II será publicada em breve.]   

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1 Comentário Add your own

  • 1. hodryc  |  01/01/2012 às 21:36

    Excelente post!
    É muito difícil mesmo quebrarmos essas barreiras vivendo alienados nessa desinformação.

    Já existem alguns movimentos lá fora como por exemplo o do site: http://www.realmilk.com/ nos EUA.
    Acho que o Slow Food também é algo bem legal, mas infelizmente a maioria de nós não acordou para os absurdos que visões estritamente mercadológicas e econômicas trazem para nosso bem-estar e saúde.
    O que podemos fazer é isso, propagar informações e nos informar para pelo menos dentro do possível decidir sobre o que é melhor para a gente.

    Muito legal seu Blog. Parabéns!!

    Responder

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