A alma do negócio

A publicidade é uma coisa genial. Desperta na gente vontades irresistíveis e até nos faz acreditar que podemos alcançar o subjetivo através do material. Uma campanha publicitária bem feita pode iludir até mesmo os que se acreditam mais realistas. Quer uma prova? Quantas vezes você não quis adquirir algum produto pelas promessas que o comercial fazia? De uma vida mais saudável, de um prazer inigualável, de aceitação? E quantas vezes alcançou estas promessas através dos tais produtos? Quantas vezes se decepcionou ao constatar que a imagem anunciada pouco ou nada tinha a ver com aquilo que você tinha em mãos?
Propaganda é uma coisa tão eficaz que, mesmo quando a realidade é absurdamente discrepante da imagem anunciada, as pessoas continuam a insistir no erro… Porque o ser humano é movido a sonhos e desejos, e tal impulso pode facilmente ser manipulado; tratando-se de lucros, não há hesitação em fazê-lo de forma negativa.
Este é um post reflexivo. Como comunicóloga, sou uma admiradora da publicidade; ela é, entre outras coisas, expressão de criatividade e inteligência, mas não se pode ignorar que é uma ferramenta amplamente utilizada para ludibriar.
Para citar um exemplo, há alguns dias assisti a um comercial americano da Coca-Cola, em que a empresa se declara sensibilizada com a “epidemia” de obesidade que assola os EUA (como se obesidade fosse uma espécie de virose altamente transmissível), e disposta a ajudar a combatê-la através de medidas práticas, disponibilizando mais produtos light no mercado e ressaltando as calorias de suas bebidas nas máquinas de venda. Agora imagine quantas pessoas se sentirão amparadas e compreendidas por tão nobre gesto. Para ficar perfeito, só faltou a coca distribuir, como brinde, um nariz de palhaço a cada compra.
Encontrei as imagens a seguir na internet, e as achei fantásticas. O autor certamente queria fazer rir, mas se pararmos para refletir, não tem graça. Basta lembrar que, para os mal-intencionados, os bobos somos nós. E você, se considera imune à publicidade? PENSE. “E se os slogans dissessem a verdade?”

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08/08/2013 at 16:11 Deixe um comentário

Prevenção: Estão fazendo isso errado.


Há cerca de um mês, a atriz Angelina Jolie declarou à imprensa ter se submetido a uma dupla mastectomia (retirada das mamas), num procedimento que durou três meses e foi concluído com o implante de próteses de silicone. A decisão de Angelina foi motivada pelo resultado de um exame genético, que apontou que ela tinha chances de desenvolver câncer de mama e de ovário. Tal atitude foi, segundo a atriz, uma medida preventiva contra o câncer.

Temos hoje o que se poderia chamar de cultura da prevenção. É frequente a veiculação de campanhas alertando sobre o cuidado com a saúde e enfatizando a importância da realização de ‘exames preventivos’ com regularidade, a fim de evitar doenças. Pela lógica, quem faz exames frequentemente está um passo a frente da doença, e tem mais chances de se curar ou até mesmo de evitá-la. Certo?

Errado. ERRADÍSSIMO. A realização de exames de rotina ou outros mais específicos não previne nem evita qualquer doença. Os exames servem, quando atingem seu objetivo, para a detecção de uma patologia ou problema. Fazer um exame de sangue não irá impedir que você tenha, por exemplo, AIDS. Mas o resultado de um exame de sangue poderá te informar que você tem ou não tem AIDS. Assim como realizar uma mamografia anual não evitará que você tenha câncer de mama, mas apenas detectará se você apresenta ou não alguma alteração em sua mama.

Da mesma forma, realizar testes e exames com frequência não aumenta suas chances de se curar de qualquer disfunção do organismo. Exames necessários, solicitados por um profissional consciente e de confiança, são uma importante ferramenta para detecção precoce de alguma doença. Mas isso só se torna um fator positivo nas chances de cura quando o doente se trata corretamente. Não adianta de nada que uma pessoa receba um diagnóstico precoce de qualquer doença – e, em alguns casos, sabemos que isso faz toda a diferença – e não aja para reestabelecer sua saúde, ou que receba um tratamento inadequado.

exames

É, de fato, muito prejudicial para todos que o significado de prevenção esteja tão deturpado e mal propagado até mesmo por quem deveria nos orientar melhor a respeito – os médicos. A prevenção a problemas de saúde engloba tudo o que nos cerca: nossos hábitos, aquilo que comemos e bebemos, a qualidade de nosso sono, que tipo de trabalho realizamos, nosso lazer, exposição ao sol, e muitos outros fatores. Parece simples demais… mas é isso mesmo. Para PREVENIR uma doença, é preciso OBTER E MANTER A SAÚDE; nenhum exame, por si só, nos tornará mais saudável. Nenhum exame, por si só, garantirá a manutenção da nossa saúde. E qualquer pessoa, médico ou não, que afirma o contrário, nada mais faz que promover a desinformação.

Terrorismo Preventivo

Devemos nos lembrar que muitos exames e procedimentos chamados preventivos são caros, invasivos, colocam o organismo em contato com substâncias muitas vezes tóxicas e nos expõem a riscos por vezes desnecessários. Não é irônico que algo tão aclamado como o “progresso” da tecnologia aplicada à medicina possa também trazer malefícios? Os
meios de comunicação festejam todo “avanço” voltado para a detecção de qualquer aspecto referente ao nosso organismo; pouco ou nada se fala sobre os ‘contras’ de tanta modernidade e minúcia: os riscos vão desde danos físicos até psicológicos; não é necessário dizer sobre o potencial negativo que isso tem em nossa saúde.

Não queremos adoecer, e a ciência nos envolve com a idéia de que é possível detectar até mesmo as chances de vir a desenvolver uma doença. O que é útil de alguma forma, mas apenas se nos conscientizarmos de que predisposição não é sentença. Se alguém possui familiares que desenvolveram diabetes, fala-se em predisposição genética; na cultura de ignorância em que vivemos hoje, isso significa, na prática, que tal pessoa se depara com esta informação e passa a esperar que, em algum momento de sua vida, o diabetes irá surgir inevitavelmente, e que a culpa é do DNA. Há uma postura de fatalismo e auto-piedade envolvendo as chamadas ‘doenças genéticas’; acontece que uma predisposição só se tornará realidade se houver um ambiente propício para tal. Alguém que tem predisposição genética ao diabetes e adota hábitos de vida saudáveis, de forma a evitar favorecer o surgimento da doença, pode nunca vir a ativar sua herança genética neste sentido.

Porém, o mais comum é encontrarmos profissionais que praticam o terrorismo preventivo e nos orientam a extirpar, da forma mais agressiva, e por vezes errônea, qualquer chance de virmos a desenvolver aquilo a que nossos gens estão predispostos – ainda que estes não tenham se manifestado e possam nunca vir a fazê-lo! -, seja com o uso de remédios ou através de procedimentos invasivos. A mídia e até mesmo o governo alimentam esta prática através de campanhas mal elaboradas. Passamos a acreditar que nossas chances de manter a saúde dependem unicamente de decisões drásticas, que podem nos trazer sofrimento e serem tão ou mais arriscadas e cheias de efeitos colaterais quanto um tratamento da doença propriamente dita.

Angelina é um exemplo claro do fatalismo científico; tendo sido informada sobre a possibilidade de desenvolver câncer, submeteu-se a três cirurgias pesadas e ao processo de recuperação das mesmas, que envolve medicamentos, dores e adaptação, mesmo estando SAUDÁVEL. Ela poderia nunca vir a desenvolver câncer, poderia ter prevenido a doença com a mudança de hábitos de vida e acompanhamento médico adequado – algo a que ela tem fácil acesso. Foi uma escolha pessoal, mas pelo uso da palavra ‘preventiva’, pode se supor que foi também uma escolha tomada com base em desinformação (e do pior tipo, o que se disfarça de informação); me parece pouco inteligente mutilar um organismo saudável para evitar uma doença, quando há outras opções. É mesmo como alguém que extrai os dentes para evitar cáries.

11/06/2013 at 17:35 3 comentários

Normas Sanitárias e Alimentação Natural – Quando a Lei te Atrapalha a Viver Bem – PARTE I

Quem opta por se alimentar de forma natural muitas vezes se depara com uma série de dificuldades; algumas de ordem “psicológica” (‘não tenho tempo’, ‘vai ficar caro’, ‘vou virar escravo(a) da cozinha’…) – estas, facilmente superadas e desmitificadas quando se resolve pôr mãos à obra. Outras, de ordem “informativa” (‘não sei o que comer’, ‘mas sempre me disseram que isto faz mal pra saúde’, ‘a embalagem diz que é natural’…) – também desmitificadas quando a pessoa adquire um pouco mais de prática, conhecimento e, principalmente, começa a obter os benefícios deste tipo de dieta. Mas existem ainda dificuldades mais abrangentes, de ordem “mercadológica” – estas, por sua vez, mais difíceis de serem vencidas.

Escrevendo errado por linhas retas

A produção, distribuição, armazenamento e comercialização de alimentos no Brasil são regidas por uma série de leis e normas elaboradas, teoricamente, para garantir que o consumidor possa adquirir alimentos produzidos e sob condições ‘ideais’ de higiene e conservação.  Mas, numa era tão afeiçoada ao conceito de pureza, refino e esterilidade, tais condições muitas vezes revelam-se estar bem afastadas daquilo que poderia ser considerado realmente ideal, implicando em barreiras ao acesso a alimentos naturais por grande parte da população.

A prática e o conhecimento comprovam que alimentos integrais, naturais e isentos de aditivos, poluentes e outras substâncias nocivas são infinitamente mais nutritivos e benéficos ao funcionamento equilibrado do organismo do que os industrializados. Nossas leis e normas, por sua vez, regem que os alimentos sejam produzidos de forma a ‘se manter livres de contaminações’ que poderiam resultar em doenças ou problemas de saúde.  Entretanto, este processo se dá, muitas vezes, através da contaminação do alimento com elementos nocivos que resultarão em doenças ou problemas de saúde. É absurdo, mas tais contaminações são geralmente legalizadas ou obrigatórias.

Existem também regras que determinam o acréscimo ou retirada desnecessários de substâncias em alimentos, com igual prejuízo para a saúde das pessoas. Tais substâncias supostamente deveriam promover algum benefício ou evitar o surgimento de alguma mazela, mas acabam surtindo efeito contrário. É o caso da água e também do sal de cozinha.

Água

Pela lei, a água distribuída pelas centrais de abastecimento deve ser fluoretada. A justificativa para a adição desta substância é a prevenção de cáries na população, principalmente em crianças e adolescentes, porém há muitas controvérsias a respeito desta ação. Diversos estudos indicam que o flúor traz mais danos que os supostos benefícios à saúde alegados para justificar sua presença compulsória em nossa água; em excesso, causa fluorose, osteoporose, deformidade dentária, distúrbios de desenvolvimento ósseo, interferência nas funções da glândula tireóide, entre outros problemas. É possível acreditar que fatalmente haverá, em algum momento, um excesso de flúor em nosso organismo, independente de ingerirmos quantidades consideradas pelas autoridades como ‘ínfimas’: o flúor é uma substância de efeito cumulativo: apenas 50% dele é eliminado pelo corpo; o restante aloja-se junto ao cálcio dos tecidos conjuntivos. E, uma vez que a água está presente em grande parte de nossas atividades cotidianas, podemos somente imaginar quanto flúor absorvemos através deste contato, pela pele. As crianças, que constituem um dos principais alvos desta lei, sofrem ainda mais com a ação do excesso de flúor, que ataca dentes e ossos ainda em desenvolvimento.

Existem ainda outros aspectos importantes que são solenemente ignorados pelo governo brasileiro: curiosamente, os próprios centros de controle e prevenção de doenças – bem como diversas autoridades na área médica e odontológica – reconhecem que o mecanismo dos supostos benefícios do flúor é principalmente TÓPICO e não SISTÊMICO.  Ou seja, você não tem que ENGOLIR o flúor se quiser utilizá-lo para “proteger” seus dentes. Como os benefícios do flúor (se é que existem) são tópicos, e os riscos, principalmente sistêmicos, faria mais sentido, para aqueles que se dispusessem a assumir os riscos, levar o flúor diretamente ao dente. Além disso, uma vez que engolir o flúor é absolutamente desnecessário, e até perigoso, não existe razão para FORÇAR as pessoas, desconsiderando sua vontade, a beber o flúor em seu suprimento de água.

O flúor não é a única substância presente no líquido que sai de nossas torneiras. Nas estações de tratamento, ela é ‘potabilizada’ com sulfato de alumínio, cloro e cal, entre outras, além de passar por diversas fases de remoção de impurezas. Diante de tantos ingredientes cuja ação também traz possibilidades de prejuízo para o organismo, encontramos mais um motivo para discordar da adição de mais químicas nocivas e dispensáveis à água. Infelizmente, na prática, esta lógica não é considerada. Em uma conversa com um técnico de uma central de abastecimento, fui informada de que na questão do tratamento, os riscos à saúde, de efeito crônico, impostos pelas substâncias químicas presentes na água, apesar de não ignorados, são considerados “não muito bem fundamentados”, e assim, a prioridade é garantir a qualidade microbiológica da água, deixando esta questão em segundo plano. A mim, me parece que está em décimo oitavo plano.

Sal

O sal presente na maioria das mesas dos brasileiros é mais um exemplo de alimento a respeito do qual foram instituídas normas mal-elaboradas. De acordo com nossas leis, o sal, para ser comercializado, deve ser refinado e iodado, ou seja, acrescido de iodo, na forma de iodeto ou iodato. Tal procedimento visa, segundo as autoridades controladoras, prevenir o bócio (aumento da glândula tireóide). A deficiência de iodo em nosso organismo pode causar outros inúmeros distúrbios, como abortos e retardos mentais, mas nem mesmo estes fatores justificam a adição compulsória do mesmo ao sal.

Acontece que o sal marinho, em seu estado bruto, já contém iodo natural, facilmente assimilado pelo organismo. No processo de lavagem, que ocorre após a extração do sal, este elemento é removido, tornando necessário “repô-lo” posteriormente. Ao fim do refinamento, adiciona-se ao sal iodeto de potássio (ingrediente que não é natural), numa quantidade muito superior à do iodo encontrado originalmente no sal em estado bruto. Este excesso torna o organismo suscetível a doenças diversas, como câncer, tumores, nódulos na tireóide (quanta ironia!), hipoplasia, má formação embrionária, entre outros.

Além disso, o refinamento em si também é injustificado do ponto de vista da saúde; o sal marinho em estado bruto contém ainda enxofre, magnésio, bromo, cálcio e muitos outros elementos que são eliminados ou extraídos pela indústria, que obtém grandes lucros através de sua comercialização. Não obstante, depois de empobrecido, o sal é “enriquecido” com antiumectantes, alvejantes, estabilizantes e conservantes (talco, cal de parede, açúcar, entre outros). Todos estes aditivos causam, como se pode prever, inúmeros problemas ao organismo.
Tanto o processo de refino quanto a adição de iodeto de potássio são extremamente lucrativos para a indústria, mas nem um pouco para quem o consome. Ainda assim, são legalizados.

Leite

Atualmente, convencionou-se achar que qualquer processo de fabricação que aconteça numa indústria e envolva máquinas em vez de pessoas (ou com o mínimo de envolvimento humano possível) é sempre mais seguro, limpo e saudável. Somos uma geração de pessoas aterrorizadas por bactérias, germes, micróbios e sujeira, e a indústria conseguiu nos convencer de que suas instalações são o único ambiente onde estaremos a salvo de tantos inimigos.

A idéia vigente de higiene está intimamente associada à esterilização, e assim chegamos ao caso do leite. Para ser comercializado no Brasil, a lei exige que todo leite passe pelo processo de pasteurização (o leite humano doado aos bancos de leite também é submetido à este procedimento!!). Da mesma forma, todos os derivados e laticínios devem ser produzidos a partir de leite pasteurizado. Produtos que não passaram por este processo são considerados ‘clandestinos’.

A pasteurização é extremamente interessante para a indústria, pois aumenta o “tempo de prateleira” do leite. Porém, ela reduz sua carga bacteriana, eliminando bactérias lácteas benéficas (fermentos naturais) e muitas vitaminas, altera seu sabor e desnatura suas proteínas, além de destruir enzimas, o que dificulta a digestão deste alimento. No processo industrial, a nata é removida e posteriormente devolvida ao produto final, de acordo com a porcentagem de gordura desejada; depois, o produto sofre homogeneização, é centrifugado, filtrado e clarificado. O leite “integral” encontrado nas prateleiras – e o único legalizado – não é de forma alguma leite, mas um subproduto obtido a partir da degeneração total do leite cru.

A pasteurização transforma o leite em um alimento morto, inútil e de difícil digestão; em seu estado natural (ou seja, cru), o leite é considerado como o alimento mais perfeito da natureza, pois contém quase todas as substâncias essenciais para a nutrição humana; suas enzimas permitem a absorção dessas substâncias pelo nosso organismo. Com a destruição das enzimas, provocada pela exposição a altas temperaturas, o corpo não consegue aproveitar o cálcio, os ácidos graxos, a galactose e muitos outros nutrientes presentes neste alimento. A própria adição de cálcio extra e outras substâncias “saudáveis” ao leite é uma grande bobagem, pois elas já se encontram presentes no leite in natura; no industrializado, nem mesmo serão absorvidas.

A desnaturação das proteínas do leite pela pasteurização o torna ainda imprestável para a produção de diversos derivados, como o queijo. Esta dificuldade é ‘vencida’ pela indústria com o uso de aditivos químicos, o que não é nem um pouco recomendado para quem busca uma boa alimentação. O queijo feito de leite cru é tradicional em Minas Gerais, e carrega consigo muitos dos benefícios do leite in natura. Porém, mais uma vez as normas oficiais se colocam em desfavor da saúde, e não permitem que este queijo tão rico e apreciado em todo o país seja comercializado fora do estado de origem; mal elaborada e baseada em desinformação, temos assim mais um exemplo de lei que prejudica a saúde da população, e pior: sob alegação de estar preservando a mesma.

[Esta é a Parte I do artigo sobre leis sanitárias e alimentação natural; a Parte II será publicada em breve.]   

31/10/2011 at 17:24 1 comentário

Como me Livrei da Enxaqueca

Durante cerca de dez anos, convivi com crises freqüentes de enxaqueca. Ao longo de todo este tempo, sofri com sintomas fortes, que atrapalhavam minha rotina e prejudicavam minha qualidade de vida. Mas, para quem abençoadamente nunca sofreu com enxaqueca, pode ser difícil entender como ela pode afetar tanto as atividades e a qualidade de vida de uma pessoa. Por isso, resolvi dividir um pouco da minha experiência a respeito desta doença.

O Que é Enxaqueca

Quando alguém lê ou ouve a palavra enxaqueca, pensa logo em dor de cabeça. Hoje em dia é comum ouvir falar deste mal, ele ocupa espaço em revistas, jornais, internet e outros meios, o que significa que cada vez mais as pessoas vêm sofrendo e buscando informações e (principalmente) alívio.


A enxaqueca é causada por uma série de desequilíbrios químicos e hormonais no organismo, que podem ser gerados por hábitos pessoais e/ou predisposição genética. Estes desequilíbrios, por sua vez, desencadeiam uma série de sintomas variáveis – a dor de cabeça intensa é apenas um deles, e pode ou não surgir durante uma crise.

Em toda a minha experiência como portadora de enxaqueca, tive sempre crises com sintomas bem pesados e que não se desvaneciam com facilidade. Náuseas, vômito, tontura, pulsação e dores muito fortes nos olhos e na cabeça, intolerância a cheiros, luzes, sons, insônia, visão embaçada, falta de concentração… tudo isto me afligia em conjunto e de forma crescente quando a doença se manifestava. O sofrimento era tão grande que me sentia disposta a tentar QUALQUER COISA em busca de alívio; costumava brincar com os amigos que, se me dissessem que titica de galinha iria me curar, eu ficaria tentada a provar. Acredito que muitas pessoas se sintam da mesma forma, o que é bem perigoso: muito se fala sobre a enxaqueca, mas muita confusão ainda existe, e isto traz uma condição favorável para a propagação da desinformação. Um portador de enxaqueca mal orientado pode chegar a agravar e muito sua situação, seguindo conselhos errôneos e, na maioria das vezes, inúteis.

Vivendo COM Enxaqueca

Minhas crises nunca tiveram data certa pra acontecer nem tempo de duração definido; o período menstrual carregava uma chance maior de manifestação dos sintomas, mas isto também não era uma regra. O desespero era sempre presente, pois QUALQUER COISA podia desencadear uma crise: a ingestão de um alimento, o intervalo entre uma refeição e outra, uma surpresa (boa ou ruim), choro, um flash, uma mudança na iluminação, ter dormido muito ou pouco, um barulho, um cheiro, um movimento…

Com o tempo, fui aprendendo a reconhecer o início de uma crise e a saber que, a partir dali, qualquer passo seria inseguro: tinha medo de comer e piorar, de não comer e piorar, de tomar remédio e piorar, de andar, sentar, respirar, e assim por diante. Geralmente, piorava de qualquer jeito, e ter consciência disso era algo extremamente torturante: imagine o que é saber que você irá passar por um sofrimento MUITO grande e que há poucas chances de qualquer atitude sua conseguir amainá-lo. Só a angústia de lembrar o que viria a seguir e o fato de não saber quando tudo terminaria já era suficiente para arruinar o que quer que eu estivesse fazendo, tornando a experiência algo muito pior do que já era.

Os sintomas vinham sempre de forma crescente, até chegar a um auge; não consigo me lembrar de alguma vez em que eles tenham ‘passado’ sem que eu precisasse interromper minhas atividades e procurar um lugar escuro e silencioso para tentar suportar o sofrimento e dormir um pouco e/ou me medicar, às vezes de forma repetida. Tudo isto era muito complicado, pois nem sempre havia um remédio à mão (e nem sempre ele fazia efeito) ou um local onde eu pudesse repousar e fugir dos incômodos externos. E nessas situações, enfrentar uma crise de enxaqueca se tornava ainda mais difícil.

Vivenciei diversos tipos de situações ruins por causa da enxaqueca: já passei mal sozinha e longe de casa, sem saber como conseguiria voltar e com medo de desmaiar na rua; já perdi aulas e deixei de apresentar trabalhos; já fui aquém da minha capacidade em provas; já passei muito mal em locais de trabalho, comprometendo a minha produtividade; já deixei de ir a programas com a família e amigos; já passei mal nestes programas; já tive de interromper encontros e compromissos; já fui parar no ambulatório do shopping, depois de passar mal no banheiro e ser confundida com alguém que bebeu demais por estar desorientada de dor e não conseguir enxergar direito nem explicar muito bem o que sentia; já achei que iria morrer; já quis morrer…

Muitas vezes me privei de experiências boas ou deixei de aproveitá-las plenamente em função da dor ou do medo dela; e em outras tantas, me senti incompreendida e impotente diante de pessoas que não conseguiam acreditar que o que eu sentia era sério e real.

Procurando Uma Saída

Diante desta situação, eu quis saber o que se passava comigo e me tratar, então procurei o médico; aliás, procurei mais de um. Consultei-me com diversos profissionais, fiz dezenas de exames diferentes, fiz testes, experimentei tratamentos, me voluntariei para pesquisas, me mediquei por conta própria, enfim, fiz de tudo o que achava que podia fazer.

Em todos os lugares a que fui, recebi sempre a mesma resposta: que o que eu tinha era realmente enxaqueca, que ter enxaqueca era “comum”, que a dor surgia em função da dilatação das artérias da têmpora e que não era possível determinar o que originava essa dilatação (ou as crises) – isso parecia ser essencial. Mas existiam medicamentos que, apesar de não específicos para enxaqueca, poderiam me ajudar. Portanto, eu tinha duas opções: usar um medicamento para pressão todos os dias (tratamento preventivo, que descartei de cara) ou me medicar ao menor sinal do surgimento de uma crise, com um analgésico e antiinflamatório.

Nunca nenhum dos profissionais procurados me disse que eu poderia viver sem enxaqueca; foi me dito que ela não tem cura e que eu deveria aceitar o fato. E assim eu me medicava e tocava a vida. Mas as crises voltavam. E os medicamentos para a crise (que às vezes funcionavam e às vezes, não) perdiam efeito e tinham que ser trocados por outros que viriam a perder efeito um tempo depois.

Paralelamente a toda essa busca por auxílio profissional, eu fazia minhas próprias pesquisas, lia todo e qualquer artigo, texto ou matéria sobre enxaqueca que me caía nas mãos, conversava com pessoas que também sofriam com a doença, procurava qualquer informação que pudesse me ajudar a entender o que acontecia comigo e por quê. Ouvi e li muita bobagem, encontrei pessoas mal informadas que confundiam enxaqueca com outras doenças ou tentavam empurrar curas milagrosas e falsas, além das muitas propagandas de remédios, às vezes disfarçadas de matérias jornalísticas. Também encontrei informações sérias, que explicavam o que acontecia com o meu organismo durante uma crise, mas que não me ajudavam em nada a evitá-las. Descobri através de auto-observação que alimentos adoçados com aspartame provocavam o aparecimento dos sintomas, mas mesmo depois de abolir qualquer adoçante artificial da dieta, eu ainda continuava tendo crises.

Vivendo SEM Enxaqueca

Em meio a todas estas buscas, acabei encontrando o trabalho do médico Alexandre Feldman, de São Paulo. Fiquei impressionada, pois sua abordagem da doença era totalmente diferente de tudo o que eu já tinha visto; em seu SITE, cheio de informações, ele falava sobre hábitos de sono, alimentação, stress, hormônios, ESTILO DE VIDA. O interesse foi grande e imediato, mas confesso que, depois de tantos anos convivendo com a enxaqueca sem uma solução, eu já estava um tanto descrente de que algo pudesse mesmo funcionar. Eu não acreditava que pudesse viver livre das crises, e estava também começando a achar que nem mesmo conseguiria minimizá-las de alguma forma. Ainda assim, não pude ignorar o que estava à minha frente.

Durante um tempo, apenas acompanhei os artigos escritos pelo Dr. Feldman, mas não demorou para eu perceber que cada texto novo fazia muito mais sentido do que tudo o que eu já tinha visto ou tentado até então. Concluí que precisava saber mais e assim, acabei comprando o livro Enxaqueca – Só Tem Quem Quer, de sua autoria. Nele, acabei descobrindo o quanto os hábitos – de sono, alimentação, exercícios, entre outros – e até mesmo a postura diante da vida influenciam na manifestação dos sintomas da enxaqueca. Descobri que eu, por conta própria, poderia fazer muito para transformar a situação que vinha enfrentando há tantos anos. Parece mentira, ou melhor, parece mágica. Mas são, na verdade, os muitos anos de experiência deste médico tão querido, traduzidos numa obra clara, SÉRIA, e preciosa. E não, não havia nenhuma pegadinha, nenhum custo adicional, nenhuma fórmula secreta e milagrosa.

Tudo o que eu precisaria fazer era empregar um pouco de força de vontade e ter sempre em mente a minha vontade de melhorar – melhorar da doença, melhorar a saúde, melhorar de vida – e foi isso o que fiz. Confesso que antes de começar efetivamente a seguir as orientações do Dr. Feldman, eu tive alguns momentos de dúvida e cheguei a ponderar se tantas mudanças não seriam difíceis, até mesmo impossíveis, se não tornariam minha vida muito complicada e se me privariam de aproveitar aquilo que eu já perdia muitas vezes com a enxaqueca, como por exemplo, um programa com os amigos…  afinal, há sempre um estranhamento, um pouco de receio, quando tentamos fazer as coisas de um jeito diferente do que já estamos habituados.

Porém, a vontade de ver algum resultado foi mais forte e eu fui em frente, um dia depois do outro; e não só me vi livre das crises (desde que comecei a seguir as orientações, estou há quase um ano sem ter tido uma crise sequer de enxaqueca!), como vi muitos outros benefícios: meu humor melhorou, minha pele ficou mais bonita, assim como meus cabelos, ganhei fôlego, me vi livre de alergias e outros incômodos, perdi peso, minha disposição aumentou, estou mais alegre, independente e ativa. Sinto-me feliz e não tenho mais medo de sofrer com a enxaqueca. Não sei se posso afirmar que estou curada, pois sei que se voltar a adotar maus hábitos de vida, voltarei a ter os sintomas; mas me considero SAUDÁVEL. E isto é o mais importante. Esta experiência tem sido um sucesso desde o princípio; tantas mudanças positivas me fizeram não só deixar para trás esta doença, mas também enxergar a vida e tudo o que acontece ao meu redor de forma diferente, mais consciente. O que parecia dificílimo a princípio (e que nunca se mostrou tão difícil assim), hoje é fácil e necessário, como beber água. Não consigo mais pensar em viver de outra forma. Recomendo a todos que tenham enxaqueca ou que conheçam alguém que tem, o livro, o site, o próprio Dr. Feldman. Em outros artigos falarei mais sobre as mudanças e os benefícios que consegui; quero finalizar dizendo que é sim possível viver sem enxaqueca – basta querer.

21/09/2011 at 21:20 18 comentários

As Palavras e o Caos – Os Efeitos da Semântica na Saúde

Uma das coisas que mais me impressiona na mídia (e na indústria alimentícia, de forma geral) é a apropriação e o uso indevido de alguns nomes e termos. A palavra ‘saudável’, por exemplo, é abundante em programas de TV, sites, jornais, revistas, embalagens e, principalmente, em comerciais. Atualmente, é imperativo preocupar-se com a saúde e, assim sendo, chovem matérias, programas, dicas, produtos e afins, no intuito de direcionar o espectador/ leitor / consumidor a melhores hábitos de alimentação, prevenção a doenças, cuidados com a pele, os cabelos… nunca a saúde esteve tanto em destaque; e nunca as pessoas estiveram tão doentes.

Quanto mais doentes ficamos, quanto mais doenças ‘novas’ são anunciadas, mais nos desesperamos. Sentimos que algo deve ser feito, então ficamos atentos aos resultados de pesquisas recentes, às estatísticas, às entrevistas de especialistas no jornal. E assim, acabamos nos rendendo a tantos tutoriais de como recuperar a saúde perdida ou salvar aquela que nos resta.

Buscamos a palavra saudável. E quanto mais a buscamos, mais ela aparece. Modificamos nossos costumes de acordo com aquilo que aprendemos na mídia, afinal, é uma fonte de informação ao alcance da maioria. Adotamos o hábito de passar filtro solar diariamente, de abolir a gordura do cardápio, de substituir o açúcar por adoçante, de ingerir suplementos de vitaminas, de diminuir o consumo de sódio. Aprendemos a buscar as palavras chave (sódio! açúcar! gordura! calorias!…) nas embalagens, e a basear nossas escolhas pela presença ou ausência delas.

E aí começa a confusão. Mesmo seguindo todas as recomendações possíveis, as pessoas parecem não conseguir distinguir o que é realmente saudável do que não é. E, apesar de todas as modificações na rotina e na lista de compras, as doenças continuam surgindo e as afetando – será culpa da genética? Ou será que deixamos escapar o mais recente anúncio científico?

Adaptações

Ciente de nossas buscas e preocupações, a indústria se esforça para preencher o mercado com opções mais adequadas à manutenção de nossos interesses. Todos queremos ficar mais saudáveis, mas, ao mesmo tempo, ninguém quer abrir mão daquilo que gosta de fazer ou comer. Ouvimos no rádio que a gordura é uma coisa do mal e que devemos cortá-la do cardápio para evitar obesidade e doenças cardíacas. Aí, nos deparamos com aquele salgadinho de pacote – assado, em vez de frito – que diz na embalagem “25% menos gordura” e ficamos aliviados: não precisamos largar o que é gostoso. Não é preciso mudar a alimentação; apenas saber escolher aquilo que está de acordo com a recomendação que você procura.

Tudo isto seria fantástico, se não se tratasse de pura desinformação. A abundância de orientações que recebemos – muitas vezes contraditórias e errôneas -, em todos os sentidos, carrega consigo uma vagueza de explicações sobre sua execução (parece maluco, mas é verdade), que abre brechas para escolhas erradas. Somado a isso, temos um jogo de palavras e expressões usadas pela mídia, órgãos reguladores e pela indústria, que não fazem mais que confundir a cabeça das pessoas, e fazê-las consumir aquilo que na verdade, deveriam evitar.

Maior, Menor ou Igual

Muitas matérias exploram o tema ‘escolhas certas’ para quem quer melhorar, por exemplo, a alimentação. Ensinam como selecionar aquilo que é mais saudável dentre as opções existentes, de acordo com as últimas recomendações da medicina e da ciência. Este tipo de pensamento parece válido, mas quase sempre é, na verdade, uma barca furada. Atualmente, muitos de nós sabemos que o açúcar é um ingrediente altamente maléfico e dispensável, e mesmo aqueles que não estão tão bem informados têm ciência de que seu abuso traz conseqüências ruins; no mínimo, faz engordar. Pois bem. Pela lógica do ‘mais saudável’, podemos evitar o açúcar e diminuir calorias utilizando adoçantes. Assim, um refrigerante light é considerado “mais saudável” que a versão ‘normal’, ainda que ambos sejam bebidas igualmente vazias, totalmente artificiais e cheias de química nociva, com ligeiras variações entre os aditivos de um e outro – e que de forma alguma poderiam ser consideradas saudáveis. Um pacote de macarrão instantâneo, lotado de realçador de sabor e acrescido de ketchup industrializado torna-se “mais saudável” se você adicionar brócolis à receita (nem precisa ser orgânico, pode ser o transgênico, cultivado com agrotóxicos e congelado); os pobres brócolis que se virem pra neutralizar todas as porcarias e antinutrientes desta refeição.


O nosso salgadinho de pacote – assado em vez de frito – com 25% menos gorduras e feito de ingredientes naturais, nem por isso deixa de ser apenas uma maçaroca feita com farinha de milho refinada, óleo vegetal hidrogenado, glutamato monossódico, emulsificantes e outros aditivos. O ‘ingrediente natural’ original – o milho – foi tão manipulado e adulterado no processo de fabricação, que suas vitaminas e minerais já não estão presentes no produto final. Assim, não faz sentido colocá-lo como referência na embalagem – exceto para o mercado, que sabe que a expressão INGREDIENTES NATURAIS vai atrair e confundir muita gente que está tentando encontrar qualidade em seus alimentos.

Orgânico, light, natural, integral, zero… estas e muitas outras palavras e expressões se tornaram comuns em nosso cotidiano, pois englobam coisas que aprendemos a entender como saudáveis. Deixamos-nos conduzir por tais palavras: é muito mais fácil quando se tem um rótulo que diz que aquele produto é exatamente o que você procura; sem sal, sem gordura trans, sem adição de açúcar, com vitaminas, com agentes hidratantes que protegem dos danos causados pela química, etc. Poderíamos pensar que os produtos que consumimos estão evoluindo, mas a verdade é que a grande maioria dos produtos industrializados utiliza-se de brechas nas normas elaboradas pelos órgãos reguladores, ou mesmo da ausência de tais normas para fazer com que tenhamos esta impressão.

Depois do reconhecimento e da divulgação dos sérios malefícios causados pela gordura trans ao ser humano, rapidamente uma enorme variedade de produtos passou a apresentar versões “isentas” deste ingrediente, sem o qual muitos produtos não conseguem manter um aspecto crocante ou consistente. Milagre? Não. A Anvisa permite a utilização de diversos claims (‘0%’, ‘livre de’, ‘não contém’, etc.) aos produtos que apresentarem um total máximo de 0,2g de gorduras trans por porção. Parece pouco, mas a pegadinha é: ainda que você realmente consuma apenas uma porção do produto em questão, vai se lembrar de eliminar do cardápio qualquer outro produto igualmente ‘isento‘ desta substância? E se não há um nível seguro para o consumo dela, como é possível estabelecer este valor limite? E mais: parece honesto a você dizer que não há determinado ingrediente em um produto, quando ele na realidade está lá?
‘Zero caloria’, ‘sem adição de açúcar’, ‘livre de gordura saturada’… pense em quantas vezes você já se deparou com estas e muitas outras expressões, e em como se sentiu melhor escolhendo um produto que as ostentava.

Maquiagem

Outro artifício usado para despistar o consumidor é “maquiar” os nomes dos ingredientes listados nos rótulos. Usam-se, geralmente, nomes diferentes daqueles que se tornam populares pelos alertas da ciência e da mídia: assim, gordura trans, que era também gordura vegetal hidrogenada, se tornou óleo vegetal (veja o rótulo de seu biscoito livre de gordura trans!); açúcar é sacarose; farinha refinada se apresenta como farinha de trigo enriquecida com ferro e ácido fólico (enriquecida entre muitas aspas); adoçantes artificiais ‘viram’ edulcorantes, e assim por diante. Tais nomes realmente designam os ingredientes presentes; porém, tornam mais difícil sua identificação por parte de quem vai comprar tal produto.

Então temos pães feitos com farinha branca mas que se anunciam como integrais (integral, hoje, parece ser qualquer coisa que tenha fibras – mesmo que inseridas artificialmente em um produto refinado), e fica difícil checar a veracidade daquela informação – geralmente nem conseguimos, e acabamos por aceitar o que está escrito. Quando aprendemos a fazê-lo, surge um novo truque para nos confudir.

Ler os rótulos é o mínimo que devemos fazer ao cogitar utilizar ou consumir qualquer produto; porém, parece que em pouco tempo teremos que nos graduar em química para compreendê-los, além de apresentar um mestrado em normas de regulamentação de valores de referências de substâncias e um certificado em detecção de malícia industrial. O que parece ser fácil e prático não é tão simples assim; está mais do que óbvio que a indústria se aproveita de nossa ignorância para nos iludir. Resultado: fazemos o errado, pensando estar fazendo o correto. Não conseguimos alcançar nossas intenções e depois nem sequer conseguimos compreender o porquê de tanto esforço não ter surtido efeito em nos ajudar a ter uma vida mais saudável.

A alternativa mais segura (e mais fácil, e mais saudável) é usar o bom senso, para distinguir que tipo de orientação seguir, e também para evitar a esmola excessiva;  a natureza nos fornece uma infinidade de formas de conseguir aquilo que o organismo precisa para ganhar e manter a saúde – da luz do sol aos alimentos -, e você não vê uma couve-flor orgânica da vida em embalagem estampando seu rico valor nutricional “sem adição de açúcar”.  Obter uma vida mais saudável é relativamente simples.  Mais simples que escolher que caixinha contém o cereal ‘mais saudável’.

03/09/2011 at 17:15 6 comentários

Você Tem Fome de Quê? – Produtos Alimentícios e A Perversão dos Sentidos

Dia desses, ao morder uma maçã verde, lembrei-me de um sabor relativamente comum em minha época de colégio: o das balas de maçã verde, aquelas massudas, mastigáveis, que grudam no dente (blergh). Achei engraçado pensar nisso, uma vez que não foi exatamente o gosto da maçã que me fez recordar a bala, mas a completa diferença entre os sabores de uma e outra. Mas estranho mesmo foi concluir em seguida que, apesar das diferenças, em minha cabeça seria possível identificar os dois sabores como “maçã verde”.

A balinha vendida na cantina da escola não possuía nenhuma porção de fruta de verdade em sua composição. Apesar disso, na embalagem constava uma ilustração de uma maçã verde e as palavras ‘maçã verde’. Adolescente, nem pensava muito a respeito, mas nunca me referi ao doce como bala SABOR maçã verde, e sim como bala DE maçã verde. Parece bobo, mas é no mínimo curioso.

‘Diversidade Contida’

Vivemos hoje cercados por todo um universo de sabores, cores e texturas. A indústria alimentícia cada vez mais investe tempo, recursos e criatividade no desenvolvimento de novos produtos e no “aprimoramento” dos já existentes: novas embalagens, cores, formatos, edições comemorativas, brindes, etc. Os produtos não se limitam a “ser eles mesmos”; muitas vezes sofrem de dupla personalidade. Pode-se facilmente encontrar em prateleiras achocolatado sabor bolo, salgadinhos de pacote sabor estrogonofe, nuggets sabor pizza, e o que mais a imaginação da indústria conseguir conceber no esforço de conquistar cada vez mais bolsos.

Um fator interessante a se observar é que, por mais que invente, mexa e remexa, a indústria alimentícia acaba muitas vezes buscando referência em alimentos naturais ou pratos tradicionais. Há motivos para isso; é mais fácil fabricar um produto que tenha gosto de algo conhecido (ainda que só pelo nome) do que inventar algo do zero, e também mais seguro, já que as pessoas geralmente são mais facilmente convencidas a comprar a bebida láctea sabor morango do que a bebida láctea sabor ‘azul bolinha’ – o sabor conhecido dá, inclusive, uma falsa impressão de que a comida não é tão artificial assim. Esta escolha de referências por parte da indústria traz, porém, uma série de problemas e contradições a quem consome estes alimentos.

Artifícios Sem Limites

Lendo a lista de ingredientes dos produtos que compramos, nos deparamos com vários nomes que, embora muitas vezes incompreensíveis (quando não vêm codificados), soam familiares a quem procura nos rótulos mais do que a data de validade e as calorias: ‘Regulador de acidez citrato de sódio, Acidulante ácido fumárico, Aromatizante, Edulcorantes, Corantes artificiais, Açúcar, Sal…’ mas, espere aí, essa gelatina não era de morango? Cadê o morango na listagem de ingredientes? Não tem. Tem aroma artificial (às vezes chamado de “idêntico ao natural”) de morango. Mas… se é idêntico, por que é que, quando eu mordo um morango, não sinto o mesmo gosto da gelatina?

Acontece que, para produzir o aditivo que imita o sabor de um alimento, isolam-se componentes químicos do aroma – um ou dois ou três -, mas os alimentos “donos” do aroma podem ter centenas de componentes químicos, não apenas aqueles dois ou três, que embora possam ser quimicamente idênticos (“idênticos ao natural”), continuam sendo apenas dois ou três, conferindo, no melhor dos casos, uma lembrança do aroma natural. Para suprir esta lacuna, a indústria lança mão de outros aditivos, como os realçadores de sabor, por exemplo. Estes fazem com que o sabor dos alimentos industrializados fique muito mais intenso, e esta é a razão porque muitas vezes os achamos tão gostosos. Toda esta mistura de produtos químicos deturpa e vicia o paladar das pessoas, enganando seus sentidos e fazendo-as consumir com prazer algo que normalmente desprezariam – ou será que, se não houvesse a adição do aroma, do corante e de tantos outros artifícios, você devoraria feliz um pacote enorme de farinha prensada com óleo vegetal?

No Princípio Era a Fome

Com isto, chegamos a outra interessante questão; está claro que existe uma grande preocupação por parte da indústria em fazer com que o alimento seja gostoso, prático, atrativo aos sentidos de diversas formas, fazendo até com que você associe o seu prato favorito, por exemplo, àquele produto X, que nada tem a ver com ele, e que nem de longe traz a seu corpo os benefícios que este prato feito com alimentos naturais poderia trazer. Por outro lado, as pessoas parecem movidas por um efeito de inércia quando vão escolher com o que irão se alimentar; compram o que vêem, sem pensar muito, sem ler rótulos, sem se dar conta de que aquilo não é de fato comida. Não há um questionamento muito grande a respeito daquilo que se busca a partir do alimento. Busca-se, entre outras coisas, saúde. Mas parece não se fazer diferenciação entre a saúde real e a prometida pelos rótulos.

Pois, ainda que muitas vezes não tenhamos consciência disso, há um sentido em escolher determinado alimento e não outro. Evolutivamente, não comemos carne, frutas e quaisquer outros alimentos apenas porque gostamos, mas porque aprendemos a identificá-los como fontes de nutrientes necessários ao funcionamento equilibrado de nosso organismo. Hoje, entretanto, nos sentimos maravilhados com tanta “variedade” de produtos disponíveis e com a preocupação da indústria em nos presentear com linhas cada vez mais completas e abrangentes; sentimo-nos fortes, importantes (nosso bolso certamente é), com poder de escolha, e nos esquecemos de atentar ao que realmente importa: a qualidade daquilo que escolhemos para comer. Por exemplo, compramos aquele hambúrguer congelado sabor picanha porque é “gostoso”, rápido de preparar – uma forma prática e moderna de consumir carne e obter as vitaminas, proteínas e tudo o mais que ela oferece. Mas não chegamos a pensar: que diabos tem nesse hambúrguer – que a embalagem diz ser de carne bovina – para que a ele seja necessário adicionar um sabor de carne? Depois de tanto processamento, ele ainda tem algum nutriente benéfico? O que esta coisa, da qual o hambúrguer é feito, irá causar em meu organismo? Ou ainda: por que é tão difícil excluir este tipo de alimento de minha dieta? Os aditivos químicos estão incluídos nas respostas de todas estas perguntas.

A Dose Faz o Veneno?

Quantas vezes nos deparamos com crianças (e mesmo adultos) que desconhecem ou rejeitam determinado alimento ‘in natura’, mas que toleram bem, até com avidez, seu sabor distorcido em alimentos processados, pobres em nutrientes? Quantas vezes não lemos sobre o aumento das taxas de obesidade, de infertilidade, surgimento de novos tipos de câncer, envelhecimento precoce, diminuição da beleza, entre muitas outras mazelas, provocadas por tantas agressões químicas com as quais precisamos lidar todos os dias? E quanto de tudo isso pode advir de aditivos de alimentos? Afinal, é importante lembrar que todas essas químicas só podem bagunçar o equilíbrio do nosso organismo.

Os aditivos são inseridos nos produtos alimentícios de acordo com índices de segurança e tolerância obtidos a partir de pesquisas, mas ainda que pudéssemos acreditar que tenham sido feitos estudos suficientes a este respeito, é preciso lembrar que cada organismo apresenta reações e níveis de tolerância variáveis; de que adianta toda a estatística do mundo dizer que aquela química não faz mal algum (ingenuidade acreditar nesse tipo de informação, em primeiro lugar), se o seu organismo tiver uma configuração genética diferente? Diante disso, não se pode concluir o que é “consumir com moderação” tais tipos de substâncias. Além disso, os aditivos não são consumidos isoladamente, mas em combinação. E as combinações são infinitas (combinações entre aditivos, combinações de aditivos com drogas, álcool, poluentes…) – e infinitas também são as possibilidades de várias destas combinações serem prejudiciais.

Comida Honesta

Minha opção frente a estes dados, e a muitos outros, é buscar uma alimentação o mais natural possível. Evito ao máximo inserir em minha dieta alimentos industrializados, pesquisando formas de produzi-los em casa, o que é divertido e prazeroso, além de confiável – e, na maioria das vezes, MUITO mais fácil e saboroso do que parece. Mas, quando não é possível, leio os rótulos e procuro entender o que eles me dizem; nem todo industrializado é vilão, mas a maioria dos produtos alimentícios se utiliza sim de propaganda enganosa – são, para mim, as comidas desonestas: prometem e alegam coisas que na verdade não podem te oferecer.

Faz diferença pesquisar, pensar e avaliar a qualidade daquilo que ingerimos, visto que o que comemos tem grande influência no funcionamento do organismo – podendo promover ou prejudicar seu equilíbrio. Nosso paladar é perfeitamente ajustável e, à medida em que vamos re-educando nossos gostos, aprendemos que alimentos verdadeiramente saudáveis são, além de nutritivos e energéticos, muito gostosos, cada um com suas peculiaridades, efeitos e sabores. Em minha opinião, nunca poderão ser substituídos por “produtos alimentícios”, cuja essência pobre é quase sempre a mesma e que precisam ser freneticamente maquiados com aditivos e outros artifícios para conseguir despertar nosso interesse.

19/08/2011 at 17:22 4 comentários

Revistas Femininas e o Mito Dos Hábitos Saudáveis

Em qualquer banca ou loja de periódicos, é muito fácil encontrar um sem número de revistas femininas para todos os gostos e bolsos. Com algumas exceções e sutis variações, a maioria delas gira em torno dos temas dieta-fitness-saúde-moda-beleza. Em todas estas, é possível encontrar dicas preciosas e exclusivas que você deve incluir em sua rotina e hábitos, se quiser ser uma mulher mais feliz, independente, bonita e principalmente, saudável. Olhando para as capas e lendo as chamadas, é fácil se perguntar: “como é que eu pude sobreviver até agora sem saber de tudo isso?” ou pensar “era isso que faltava pra eu ser feliz de vez”.  O que muita gente não se pergunta, nem pensa, é como é possível existirem tantas publicações a fim de induzir o leitor, ou melhor dizendo, a leitora, ao erro.

Pare e reflita. O que você procura ao comprá-las? Provavelmente, saber das novidades. Quem sabe, adotar uma dieta nova. Mas que novidades? Revistas femininas dedicadas a estes tipos de temas são, antes de qualquer coisa, padronizadas. Desde sempre. Comprar uma delas é como comprar qualquer outra, ainda que você pense que não. As poucas variações existentes entre elas destinam-se apenas a iludir quem acredita que existe tal diferenciação, e abocanhar mais este público em potencial. Em qualquer uma delas você pode encontrar na capa uma bela atriz ou modelo, magra, maquiada, penteada e sorridente, um exemplo perfeito de mulher bem sucedida e que se cuida. Geralmente, uma atriz em evidência, aquela que todo mundo vai querer tomar como exemplo. Mas pode também ser uma modelo anônima, e assim a revista ganha um ar de credibilidade junto a um público que se acha diferenciado. Ou ainda, uma leitora ‘vitoriosa’ que perdeu muitos quilos e que prova que é possível “vencer” seguindo as preciosas dicas da revista em questão. Tudo cheira a sucesso. As chamadas são um misto de mensagens motivadoras (“você pode!”), alertas e anúncios de novidades que até sua avó já está cansada de saber, mas que de alguma forma (estrategicamente calculada), parecem irresistíveis e prendem sua atenção. Se você pegar todas as revistas do mês, vai perceber até que as chamadas são semelhantes. Mesmo assim, é difícil resistir.

É claro que nada disso é novidade, é bem fácil para qualquer pessoa perceber estas características e é mesmo comum encontrar piadas a respeito. E, de qualquer modo, que mal há em ler revistas femininas, ainda que sejam todas iguais? E daí que a maioria delas traz chamadas parecidas? Isso acontece porque todas vão atrás do assunto mais quente e importante; se uma descoberta é assim tão fantástica e benéfica, é claro que vai sair em todas as revistas, certo? ERRADO!  As chamadas são as mesmas por um motivo muito simples: para reforçar as mensagens na cabeça da leitora. O mercado consumidor feminino é uma mina de ouro, e tais revistas ajudam e muito a impulsioná-lo. É como uma vitrine, só que você paga para ver. Isso pode não parecer um grande problema, afinal, se o dinheiro é meu, eu decido a melhor forma de gastá-lo; porém, há sim um problema quando o impulso de gastar vem de uma falsa ilusão de se estar investindo em saúde, por exemplo. E isso acontece mais do que se imagina.

Primeiramente, é preciso atentar para a forma como os assuntos são abordados em cada página. Não há uma preocupação em realmente trazer dados úteis a quem lê, apenas em fazê-los parecer úteis.  As informações são sempre superficiais, incompletas e – isso é bem importante – direcionadas. Pode ser que os caracteres ou o espaço destinado a cada tema não sejam suficientes para uma pesquisa mais densa (ou que este não seja de fato o objetivo), mas isso não impede que o assunto seja abordado de forma correta e verdadeira, o que raramente ocorre. Exemplo disso são as várias páginas dedicadas a trazer os últimos lançamentos da indústria cosmética (ou alimentícia, esportiva, etc.); ao sugerir determinado produto para uso pelas leitoras, a revista muitas vezes meramente repete aquilo que o fabricante lhe diz de benéfico em relação a tal produto, seja na embalagem ou em releases produzidos por assessorias de imprensa ou departamentos de marketing. Com isso, podemos notar que não há aí uma real opinião de quem produziu a página, mas uma omissão da mesma.

E não é só nas seções estilo ‘vitrine declarada’ que isso acontece. Quantas vezes você já viu uma matéria explicando, por exemplo, os efeitos do consumo de gorduras saturadas no organismo, e que ao final sugeria o consumo de determinada marca de margarina ou leite desnatado, com os devidos ‘benefícios’ propagados pelos fabricantes bem destacados? Não seria o caso de se desconfiar de um mero repeteco? Sim, mas existe um planejamento para que estas palavras pareçam confiáveis. No caso deste tipo de matéria, informações parcialmente verídicas e de interesse do leitor são misturadas a propaganda pura, de forma escancarada, mas que pareça sutil a olhos desatentos. Percebe o quanto isto é maldoso? A maioria das pessoas está condicionada a crer que uma sugestão rodeada por palavras de especialistas é confiável, e nem mesmo chega a se questionar se os responsáveis pela produção das matérias realmente se deram ao trabalho de checar a veracidade daquilo que publicam. Assim, são induzidas a acreditar que tal produto realmente é a melhor escolha para quem procura viver de forma saudável.

Em cada matéria, nota ou coluna, há sempre o aval e a colaboração de profissionais diversos, como dermatologistas, nutricionistas, fisioterapeutas, esteticistas, cabeleireiros, personal trainers, psicólogos, cientistas, Lucílias Dinizes e assim por diante, o que confere credibilidade ao que é dito naquela publicação. Mas nada disso garante que as informações veiculadas estão corretas. Qualquer estudante de comunicação sabe que é possível manipular informações de acordo com o interesse e/ou linha editorial da publicação, ainda que estas sejam baseadas em dados corretos ou confirmados pela ciência. Alguém se lembra DESTE comercial?

Outro aspecto a ser considerado é o estímulo à insatisfação perpétua. Deve-se sempre estar procurando emagrecer, tingir o cabelo, ganhar mais músculos, ser mais saudável, eliminar as rugas, apimentar o sexo, clarear os dentes e por aí vai. Você nunca vai estar bem o bastante, e assim, ficará tentada a experimentar as novas descobertas – que a sua revista vai logicamente te trazer em primeira mão -; aquele procedimento estético, a erva da vez, a pílula milagrosa. E ninguém parece se constranger quando as tais novas descobertas posteriormente voltam a estampar as páginas como os mais recentes vilões da saúde descobertos pelas pesquisas, mesmo tendo sido festejadas como a última maravilha da ciência, três edições atrás.

Ou mesmo a dieta do mês, elaborada por um nutricionista, para que a leitora possa emagrecer de forma ‘saudável’ – e comprando os produtos certos -, mas que, se seguida de forma contínua, debilita e traz prejuízos ao organismo. A contradição é tão grande que teve de ser assumida. Muitas revistas atualmente estampam um aviso (afinal, preocupam-se com suas leitoras – ou com um processo, vai saber): “esta dieta deve ser seguida por um período máximo de X dias”. Mais do que isso é por conta da leitora, afinal, com o suposto cardápio saudável você estará ingerindo alguns ingredientes duvidosos e deixando de ingerir muitos outros dos quais seu corpo realmente precisa (e absurdamente, querem que você acredite que isto é necessário para emagrecer). Não faz qualquer sentido; no meu entender, se uma dieta é realmente saudável, não deveria haver risco em adotá-la permanentemente. Além do mais, se não funcionar, segundo a revista, é provável que não seja a dieta certa. Na próxima edição tem outra, que se adequará mais a seu estilo de vida, personalidade, etc. – e trará produtos novos.

Por fim, já percebeu que as revistas femininas geralmente não publicam críticas? Conheço várias publicações diferentes, e nunca vi uma crítica séria (de vez em quando aparece uma reclamação de que a artista da capa já apareceu antes, mas convenhamos, isto nem conta muito). Na seção de cartas, só há elogios. Eu mesma já tentei enviar emails contestando algumas informações e nunca vi nenhum, nem mesmo um pequeno trecho, publicado. O que isso parece a você? Compromisso com a promoção da saúde ou compromisso em fazer a leitora acreditar que ela realmente pode seguir as sugestões da revista, uma vez que todo mundo que seguiu está feliz e satisfeito?

Querer ser mais saudável, feliz, aprender algo novo – ou velho – que te faça bem, nada disso é errado. Nem mesmo é preciso deixar as revistas de lado, se não quiser. Mas é preciso analisar a qualidade da informação que se recebe. De onde vem, e a que ela vem. Sua revista feminina preferida não quer realmente ajudar a fazer de você uma leitora saudável, bonita, inteligente ou vencedora. Ela está mais interessada em te estimular a ser uma pessoa que está constantemente buscando ser saudável, bonita, inteligente, vencedora, magra e tudo o mais. Dessa forma, ela poderá continuar circulando e gerando lucro: pra editora, pros anunciantes, pra equipe de colaboradores, enfim, pra todo mundo, menos você.

08/08/2011 at 20:39 5 comentários


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